Relevância

O projeto Tangima oferece uma opção de baixo custo, que potencializa a interação com o audiovisual, ampliando as possibilidades na reprodução multimídia. Os usuários poderão ver e sentir imagens, textos, sons e vídeos em três dimensões, que antes não podiam sentir em em interfaces gráficas tradicionais.

As opções existentes que visam solucionar o déficit dimensional das interfaces gráficas, em geral são muito limitadas. Em sua maioria são displays volumétricos, que utilizam reproduções holográficas ou matrizes tridimensionais de pequenas lâmpadas LEDs. Estas tecnologias, em sua maioria, não trazem a multimídia para a interação física, apenas distribuem pontos luminosos pelo espaço. Existem também as técnicas de prototipagem rápida (impressoras 3D), que apesar de tangibilizarem dados digitais no mundo físico, levam tempo e tem custo elevado.

As soluções encontradas que visam diminuir o déficit tátil das interfaces gráficas também são limitadas a usos simples, e em geral são tecnologias muito caras.

Existem diversos grupos de pesquisadores e profissionais buscando desenvolver interfaces tangíveis ou displays volumétricos. A Audi, por exemplo criou um grupo de pesquisa para desenvolver um “Tangible Haptic Touchpad”, uma interface tátil tangível para motorista controlar o painel do automóvel sem precisar tirar os olhos do volante.

O MIT, desde 1995 mantém o Tangible Media Lab, liderado pelo professor Hiroshi Ishii, onde são projetados e testados protótipos de interfaces tangíveis. O objetivo deste laboratório é buscar fundir o mundo real com o mundo virtual, explorando todo o potencial sensorial dos seres humanos.

Como estes, diversos outros profissionais tem se unido em prol do desenvolvimento de novas interfaces tangíveis experimentais.

O Tangima pretende contribuir com a quebra dos paradigmas das interfaces de interação homem-máquina. Ainda utilizamos, predominantemente, dispositivos que foram projetados há mais de 30 anos. Acreditamos que precisamos explorar novas formas de interação, ampliando o leque de oportunidades e explorando nosso potencial sensorial.

A IMPORTÂNCIA DO TOQUE

Sobre a relevância de se projetar interfaces tangíveis para explorarmos novos sentidos, como o tato, para citar um pouco sobre a importância deste sentido nas nossas vidas, recorreremos ao autor Abdumotaleb El Saddik, do livro “Haptics Technologies: Bringing Touch to Multimedia” :

“ O tato está distribuído por todo o corpo, ao contrário dos nossos outros 4 sentidos convencionais, os quais estão centralizados em partes específicas do nosso organismo. Os seres humanos são muito sensíveis ao toque, mas cada parte do nosso corpo possui suas sensibilidades. Estas sensibilidades variam porque a pele é uma interface que discrimina quatro modalidades de sensação: (tanto no toque leve quanto no toque pressionado), toque, frio, calor e dor. Mais ainda, a combinação de duas ou mais modalidades podem ser utilizadas para caracterizar sensações como rugosidade, umidade e vibração. Um ser humano não seria capaz de sentir e responder ao mundo físico sem os sensores táteis localizados pelo corpo todo. Para apreciar mais o tato, considere os seguintes fatos: de acordo com Heller e Schiff, o toque é vinte vezes mais rápido que a visão, então os seres humanos estão habilitados a diferenciar dois estímulos a apenas 5 ms de diferença entre eles; Bolanowski descobriu que o tato é altamente sensível a vibrações de até 1KHz, com um pico de sensitividade por volta de 250 KHz; e os receptores da pele na palma da mão podem sentir diferenças tão baixas quanto 0.2µm de comprimento.“

Por fim, o autor Robles de La Torre, em seu artigo “The Importance of the Sense of Touch in Virtual and Real Environments”, diz que perder o tato tem efeitos catastróficos como a perda dos movimentos da mão, perda da percepção de posição e movimento dos membros e inabilidade para andar, só para citar alguns. Segundo ele, apesar de em geral não conseguirmos visualizar nossas vidas sem a visão ou audição, estaríamos com problemas muito mais sérios se perdêssemos o sentido do tato.

Vale ressaltar que apesar de buscar tangibilizar imagens, o protótipo apresentado no final deste projeto de graduação não será propriamente uma interface capaz de oferecer a sensação tátil, uma vez que o seu tamanho será desproporcionalmente grande. À medida que evoluirmos o desenvolvimento do Tangima, mesmo após a conclusão deste projeto, buscaremos mais recursos e investimentos para reduzirmos o tamanho de cada pino. Desta forma, possibilitaremos uma maior resolução ocupando um menor espaço, e consequentemente, possibilitando a sensação tátil.

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